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“...até que entrei no Santuário de Deus e vi o fim deles...” (Sl. 73:17)

A OBSERVAÇÃO DA CRIAÇÃO SEM DEUS REDUNDA EM PECADO

N
ossa incapacidade de encontrar a satisfação em Deus tem a ver com o fato de que nossa visão foi afetada pelo pecado. Normalmente nos iludimos com as coisas que vemos, porque pensamos que são de uma forma que não são. Um reality show, por exemplo, procura simular a vida de pessoas buscando encontrar suas reações na chamada vida real. Já me deparei com algumas pessoas que olham para programas semelhantes e declaram: “Gostaria de ter esta oportunidade de passar dias recebendo das melhores comidas possíveis, participando de várias festas, aparecendo na TV para o mundo inteiro, tendo meus minutinhos de fama e ainda concorrendo a 1 milhão de reais – aquilo o que realmente poderia mudar minha vida pra sempre”. Outros, sobretudo em nosso contexto, ousam trazer como exemplo aqueles que prosperam com coisas ilícitas, demonstrando implícito desejo de que isso também os alcançasse. Quem já não se pegou falando: Por que isso não acontece comigo? Por que não tenho o que fulano tem? Por que beltrano que nem serve a ti, Senhor, parece ser mais feliz que eu em minha fidelidade? Será que algum dia na EBD você já falou: Puxa vida, alguém agora está desfrutando de uma praia, de um futebol, de um momento de prazer, enquanto eu estou aqui?

            Asafe, um homem que foi usado como instrumento para redação e expressão dos desígnios de Deus, também enfrentou a mesma crise (Sl 73). Neste salmo, ele passa grande parte de seu conteúdo declarando que esse era o seu grande dilema. Ele declara que essa forma de enxergar o mundo quase o levou a tropeçar. Tentando buscar respostas, ele não sabia explicar porque pessoas que não servem ao Deus altíssimo passavam por momentos que traduziam imensa felicidade aos seus olhos. O desejo desse homem era ter o que os ímpios tinham, era ser como os ímpios eram, porque parecia que sua vida de devoção ao Senhor não havia lhe rendido nenhum fruto. Ele mesmo declara “Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração; e lavei as minhas mãos na inocência”.

É comum que antes de nossa conversão estejamos sempre medindo os esforços que fazemos para obtenção daquilo o que queremos. Porém, não é difícil encontrar crentes que alegam devotar suas vidas ao Senhor sem genuinamente servirem ao Senhor. Traduzindo um serviço por aquilo o que o Senhor pode fornecer e não por aquilo o que Ele realmente é. Para estes, o tempo é um grande inimigo, porque nenhuma lealdade subsiste ao grande teste do tempo. O tempo revela nossa verdadeira propensão, nossas verdadeiras tendências. Revela-nos como pendemos para o pecado, a despeito de nossas convicções voltadas para as coisas de Deus. A busca por obter explicação do fato de alguns, aos olhos dos filhos de Deus, encontrarem satisfação fora dos caminhos do Senhor levou o salmista a beira da loucura: “Isso é profundo demais para mim!”

APENAS CRISTO PODE RESTAURAR NOSSA VISÃO

            O que é impressionante, é que no meio da crise, o texto de Sl 73 declara “então entrei no santuário de Deus e vi o fim deles”. Quando pensamos sobre o que o salmista está falando aqui vemos que ele declara que sua vida foi alterada quanto à noção exata das coisas quando ele adentrou o santuário de Deus. Ao adentrar o santuário de Deus ele teve sua percepção restaurada e viu que o fim daqueles que não servem ao Senhor não é nada agradável. Por que ele pode perceber isso? O que significa adentrar o santuário de Deus? O que ele viu que trouxe o diferencial para que sua percepção fosse aguçada?

Na constatação lógica de toda Escritura que pressupõe um Deus Criador e Sustentador de todas as coisas, Asafe sabe que não existe felicidade à parte do Criador. O Santuário de Deus, o local da habitação de Deus fala fundamentalmente do rito mais importante, que aponta para a realidade de que todo homem está afastado de Deus e por isso necessita do perdão de seus pecados para estar diante Dele, para ser pleno. Estar ali naquele lugar trouxe à memória de Asafe que um Deus misericordioso resolveu não dar aquilo o que sua criação merecia, mas ofertar perdão ao seu povo. Convém lembrar que todos os sacrifícios do Antigo Testamento serviram na verdade como sombras do verdadeiro sacrifício pela humanidade, Cristo Jesus – o verdadeiro cordeiro que foi morto pelos nossos pecados.

Em outras palavras, o que Asafe está falando é que quando seus olhos viram os símbolos que apontam para o Cristo, eles foram esclarecidos sobre o que realmente é importante. Apenas por meio de Cristo nossa percepção da realidade é restaurada e conseguimos ver claramente o que está acontecendo. Nossa noção da realidade, até mesmo da razão pela qual fomos chamados a servir ao Senhor começa e termina em Cristo. Apenas por ele, podemos contemplar as coisas como elas realmente são. Um texto que vejo isso sendo esclarecido de maneira indubitável fala de uma das primeiras pessoas que viu Jesus ressurreto, Maria Madalena.

            Maria estava profundamente entristecida, porque ao buscar ver o corpo de Jesus no sepulcro onde havia sido sepultado, não o pôde encontrar. Ela contou aos discípulos que foram até o local e examinaram, percebendo que algo estranho havia acontecido. Quem quer que tenha retirado Jesus dali, havia deixado suas túnicas. Os discípulos saíram do local, mas Maria Madalena estava desolada, ela não suportava o fato de pensar que alguém poderia ter tratado Jesus de forma tão repugnante. Mas, o Jesus que Maria procurava não era o Jesus que a havia ensinado. Mesmo tendo ela conhecimento de que ele ensinara que era a ressurreição e a vida, o Jesus que ela procurava era bem menor que o verdadeiro Jesus. Ela procura um Cristo morto, mas ele já estava vivo. Mas, nesse relato do capítulo 20, nesse encontro especial com Maria, temos o protótipo de como a fé em Jesus ocorre, como nossos olhos são esclarecidos para contemplar a vida. A fé, humanamente falando, é algo impossível. Ela só é possibilitada por meio de uma intervenção direta do próprio Deus. Ninguém por si só é capaz de conhecer Deus a não ser que ele venha até a pessoa.

            Quando Maria estava ainda chorando no sepulcro, percebeu alguém iniciar um diálogo com ela. Olhando para trás, viu Jesus, mas não o pôde identificar. Ela acreditava que era um jardineiro e por isso, dizia a ele, “se você foi quem o pegou, por favor...me diga!”. Mas de forma gentil, como de costume, perguntou: “Quem você está procurando?” Fico me perguntando, por que Jesus não disse para ela: “Sou eu”!? E sou esclarecido pelo texto que a forma como Jesus Cristo a levou ao conhecimento de quem Ele era não foi dizer: Sou eu...mas... se quisermos colocar desta maneira, ele disse: “É você!”. De maneira mais precisa, suas palavras foram: Maria! E neste exato momento, seus olhos foram abertos e ela disse: Raboni! E Cristo faz uma mulher com histórico anterior duvidoso, agora alvo de sua graça e a primeira incumbida a anunciar as boas novas do Cristo ressurreto. Sua vida foi radicalmente alterada por Cristo.

            A despeito de o mundo propagar que a felicidade consiste em ter coisas, sejam bens materiais, bom casamento, boa condição física, boa condição financeira, isso não chega nem perto da verdade. A felicidade pode chegar até mesmo a pessoas que não tem bens, casamento, boa saúde, ou boa condição financeira. A felicidade é Cristo! Em Cristo nossa visão da realidade é restaurada. Somos trazidos de uma visão turva que prioriza apenas o que está perto e superficial para consideração do que realmente importa e aponta para a eternidade. Que o nosso Senhor seja tanto a nossa forma de conceber a realidade como o alvo de nossos verdadeiros desejos.

            Que o Senhor seja gracioso em nos atrair para Ele todos os dias!

 


   Autor
   Pr. Jonatas Bento

Jonatas Bento é pastor na Igreja Metodista Ortodoxa no Km32, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Especialista em Teologia Bíblica AT. Jonatas também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

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