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o ano passado podemos vivenciar um dos momentos mais belos do cristianismo no Brasil. Em função da agenda mundial de comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante nos envolvemos numa celebração que mobilizou os crentes protestantes em reflexões relevantes sobre os fundamentos da fé reformada com publicações de livros e cerimônias em todo o país. Mas o tempo passou e estamos próximos de completarmos 501 anos do evento em Wittenberg e precisamos continuar olhando para o legado e para os ensinamentos básicos deixados por Deus também por meio da história, que muitas vezes, forçadamente, nos fazem olhar para o que precisamos ter sempre diante de nós e guardar. Os Cinco Solas da Reforma devem ainda nos referenciar ao que é basilar na nossa fé. Neste texto vamos comentar sobre o Solus Christus, convidando-a a pensar sobre o que seria de sua vida sem nosso Redentor.

Você já pensou como estaria sua vida se Cristo não fosse em sua direção e lhe tivesse tirado de onde você estava? Como você estaria se ele não tivesse lhe alcançado com sua mão de poder e graça e lhe dado esperança? Pare, pense e indague-se...como você estaria hoje sem a presença de Jesus Cristo? E acerca de sua perspectiva do porvir e da iminência da finitude terrena e da morte, como você reagiria sem Jesus em cada uma dessas questões? Qual seria a sua condução no seu casamento diante das incompatibilidades presentes sem que Cristo fosse o seu modelo, o resgatador de sua alma e a razão de sua caminhada? Sua relação conjugal sobreviveria por suas forças...sem a graça de Jesus? Como estaria seu ânimo diante da rebeldia de seus filhos ou diante do abandono de seus pais sem que Cristo o consolasse e o reanimasse com esperança e misericórdia incomuns? E face a face com a doença e a com sua fragilidade, que revela sua incapacidade e nega sua autossuficiência, como você estaria sem a mão do Mestre lhe acolhendo e consolando nesses momentos?

Observe o que Deus nos fala por meio do apóstolo Paulo: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor...”(Colossenses 1.13). Parece pouco isso? Claro que não é! Ao contrário disso, o resgate e a remissão de nossos pecados, pelo sangue de Jesus Cristo, altera tudo em nós e em nossa existência até a eternidade. Pela ação dele fomos transportados das trevas para o Reino do Filho do seu amor. Isso é incomparável!

Mas, como em tudo de excepcional e maravilhoso que ocorre em nossa vida, logo que nos acostumamos com o fato extraordinário e bom passamos a negligencia-lo, banalizando o benefício alcançado. Assim, a bênção “envelhece” e, baseados na nossa lógica consumista de substituição do antigo pelo novo, esperamos nova satisfação decorrente de outro presente ou conquista. O problema é que nada se compara com o descrito no texto. Não existe nada melhor, mais belo e mais valioso que a oferta imerecida dada pelo Deus Santo aos que eram habitantes de um império das trevas. Recebemos a melhor coisa no universo de um Deus que amou inimigos – os beneficiados alcançados pela sua graça e misericórdia. A encarnação de Jesus é a única possibilidade da revelação de Deus de um caminho de reconciliação, da revelação plena da verdade e de recebermos a vida eterna. (João 14.6).

Então, desperte do seu sentimento enganoso e negligente de ingratidão. Fique atento porque ele pode estar disfarçado pelo seu desejo contínuo de “quero mais” incessante. Quem é grato a Deus sabe que foi agraciado pela maior dádiva dos céus e sabe que não merecia a salvação. Quem é grato a Deus não se afasta do primeiro amor, tem satisfação e alegria intermináveis[1]   e sabe como estaria sem Cristo, seguindo seu curso natural.

Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. (Efésios 2.1-3)

Portanto, olhe para a cruz e se lembre sempre de como seria sua vida sem Cristo. Assim, deixe de só reclamar, abandone o desânimo e a expectativa superestimada de que lhe falta algo. Se você tem a Cristo...você tem mais que merece e tem tudo que precisa.


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   Autor
   Pr. Ilton Sampaio de Araújo

Ilton S. Araújo é pastor na Igreja Congregacional Campograndense, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, graduado em História e MBA em Gestão em Educação. Ilton é diretor pedagógico e também professor no Seminário Teológico do Oeste.


 

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