• O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
  •  21 2418-7141

Sl 19.1: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.”

E
screvo esse texto na semana em que comemoramos o Dia do Professor e, trabalhando em uma escola de ensino teológico e como professor na EBD, não podia deixar passar em branco essa data. Com certeza, somos gratos a Deus por aqueles que têm sido usados pelo Senhor para nos ensinar seus caminhos e verdades. Temos uma “dívida” para com aqueles que dedicaram seu tempo e energia para nos ensinar o evangelho, nos levando a amar mais a Deus e sua Palavra.

Devemos nessa semana (e em todas as outras) nos lembrar que é o próprio Senhor quem dá esses mestres à igreja para edificação do corpo: “ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11-12). Devemos reconhecer que é Deus quem os capacita: “a outro, segundo o mesmo Espírito, [é dada] a palavra do conhecimento” (I Co 12.8). Sabemos que há sobre eles uma grande responsabilidade: “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo” (Tg 3.1) e que, portanto, eles devem se dedicar ao ensino: “o que ensina esmere-se no fazê-lo” (Rm 12.7). É uma lástima quando a Igreja sofre nas mãos de falsos mestres: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade” (II Pe 2.1-2).

Os textos bíblicos que tratam da importância do ensino das verdades bíblicas e do papel do mestre são abundantes. Todos eles apontam, em última instância, para Jesus, o Mestre sem igual. Por tudo isso, já cabe o nosso “muito obrigado” a todos que tem labutado no ensino teológico, seja no seminário, no púlpito, no discipulado ou na EBD.

Entretanto, o que gostaria de tratar nesse texto não é o aspecto mais óbvio de como o ensino deve ser usado para a exaltação do nome de Cristo. Falei resumidamente desse aspecto nos parágrafos acima e, se você quiser saber mais sobre o assunto, pode ler em http://www.sto.org.br/index.php/historico/artigos/346-um-recado-para-professores-de-ebd.

Gostaria de me deter com você sobre o ensino que costumamos chamar de “secular”. Isso mesmo. Estamos tão acostumados a ver a vida sob uma ótica de separação entre “sagrado” e “profano”, que criamos duas categorias de ensino: “ensino teológico” e “ensino secular”. Bem... isso são só categorias e gostaria de propor uma visão diferente desta. Gostaria de propor que todo ensino é teológico. Matemática, Física, Química, História, Geografia, Filosofia, Português, etc, todas deveriam nos conduzir ao pensamento teológico.

OK. Você deve achar que estou “forçando um pouco a barra”... Permita-me explicar. Lemos no Sl 19.1 que “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”. O salmista Davi olha para a imensidão dos céus e reconhece neles a manifestação de que existe um criador, mas também que ele é alguém glorioso.

A glória de Deus é vista quando se olha para a criação, com todas as suas nuances de beleza, com toda a sua magnificência e grandeza. Ou você terá coragem de me dizer que nunca ficou abismado ao olhar para cima em uma noite estrelada e contemplar uma miríade de pontos brilhantes na imensidão do universo, como que servindo de uma enorme pintura a embelezar nossa existência? (Sugiro que faça essa experiência na “roça” e o desafio a contar as estrelas) Você pode dizer que não se impressiona ao olhar o pôr-do-sol e as variações de tom amarelo-alaranjado-avermelhado que se formam nos céus? Não se impressiona em ver as asas de uma borboleta e perceber cores ainda mais vivas que as da tela de um exímio pintor? Nunca se maravilhou ao refletir que não vivemos em um mundo cinza, preto e branco, mas que, em cada detalhe, em cada verde, azul, amarelo, vermelho podemos perceber a criatividade e a beleza de um criador glorioso?

Se você concorda comigo, deveria refletir, então, que todas as vezes que os professores ensinam suas disciplinas em sala de aula o que estão fazendo, de fato, é muito mais do que transmitir uma matéria que “cairá” na próxima prova. Eles estão mostrando como o criador é belo, sábio e poderoso!

Vou dar alguns exemplos para deixar claro o que estou propondo:

- Quando um professor de Biologia mostra a diversidade dos reinos animais, deveríamos notar a mão de um exímio geneticista que fez uma infinidade de seres que cooperam para uma estrutura ampla sinérgica, mantendo a vida em nosso planeta.

- Quando um professor de Química descreve uma série de reações, ele está mostrando como Deus projetou nosso mundo para que, mesmo moléculas inanimadas, pudessem se combinar para formar produtos essenciais para os homens, animais e plantas.

- Quando um professor de Física descreve o movimento dos corpos celestes, não está fazendo nada mais do que descrever como Deus estabeleceu leis irrevogáveis em todo o universo.

- Quando um professor de História descreve os eventos que moldaram a trajetória humana nesse planeta, ele está apresentando como há um Rei Soberano que intervém e controla o curso dos fatos históricos para a concretização do seu plano redentor.

- Quando um professor de Português (ou Inglês ou outra língua qualquer) ensina gramática, mostra como herdamos do criador a capacidade de nos comunicar por meio da palavra, o instrumento usado para a criação no “disse Deus: Haja!”

- Quando um professor de Matemática expõe seus teoremas, está deixando claro aos seus alunos que nosso mundo segue o caráter de ordem daquele que o criou.

- Quando um professor de Filosofia expõe o pensamento dos pensadores do passado, o que está revelando é a inquietação do homem em descobrir sua essência e origem no vácuo deixado pela separação causada pelo pecado.

Eu poderia prosseguir falando das demais disciplinas, mas creio que já é suficiente para que você compreenda meu ponto. O problema é que nos desacostumamos a olhar para Deus nas disciplinas “seculares” e achamos que essas áreas de conhecimento estão divorciadas da Teologia.

Você deveria se lembrar que grande parte dos pensadores que contribuíram diretamente para a revolução científica entre os séculos XVI-XVIII eram cristãos, como Copérnico, Galileu, Isaac Newton, Johannes Kepler, entre outros. Podemos perceber como a fé em Deus e uma cosmovisão cristã influenciaram o trabalho e as pesquisas desses cientistas. Por exemplo, a crença em Deus desempenhou um papel fundamental na mecânica newtoniana, uma vez que esta pressupõe um universo organizado. Para Newton, da mesma forma que encontramos as leis de Deus na Escritura, haveria também uma regularidade na natureza que permitiria o reconhecimento de determinadas leis. Galileu disse que a natureza está escrita em linguagem da matemática e sugeriu que a matemática “é a mais sublime expressão do mundo por ser divina”. Como disse Louis Pasteur, importante cientista na área de química, medicina e microbiologia, “um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima.”

A questão, portanto, não é se o ensino é secular ou teológico. Todo o ensino é teológico! Ele pode mostrar a Deus ou se mostrar como um ídolo, colocando a razão e o homem na posição de “criadores”.

Nesse dia dos professores, só tenho uma palavra para aqueles que me ensinaram Português, Inglês, Matemática, Química, Física, História, Biologia, Filosofia, Sociologia, etc: “Professor, muito obrigado! Através das suas aulas, eu vi um pouco mais de Deus na sua criação!

 


   Autor
   Pr. Rodrigo Suhett

Rodrigo Suhett é pastor na Igreja Quadrangular do Bairro Adriana, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Teologia Bíblica. Rodrigo também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

Voltar