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O
 cristianismo é diferente das concepções comuns que nos cercam, por propor uma lógica distinta das demais estruturas de pensamentos que lidamos. O cristianismo indica a necessidade da morte preceder a vida ou a nova vida. É o próprio Jesus que ensina sobre isso.

“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.” (João 12.24-25).

   Primeiro, referindo-se a ele mesmo, Jesus deixa claro que a sua morte era eminente. Estava se aproximando o momento que seria preso e injustamente condenado à morte. Mas podemos notar não só a proximidade da morte de Jesus neste trecho, mas como ela é comparada ao singelo grão de trigo, que precisaria morrer, cair na terra , para promover frutos. Isso está no cerne da mensagem redentora do Evangelho. O homem estava morto e era necessário que alguém perfeitamente o substituísse para o reconduzir a vida...a partir da morte substitutiva do “grão de trigo”. Jesus sendo o próprio Deus se fez homem, para como homem poder morrer. O Criador de todas as coisas se fez como grão de trigo que é posto na terra para germinar.

   Por isso, essa mensagem é linda e incomparável! Ela fala acerca daquele que sendo Todo Poderoso se rebaixou para se sacrificar por quem não merecia. E não somente linda, mas desejada por muitos, pois fala da possibilidade de alguém morrer em nosso lugar. Alguém que pagou nossas dívidas impagáveis diante do Pai. Com sua morte, Jesus atraiu para si a Santa justiça de Deus Pai. E a partir dele, então, os que estavam mortos puderam receber vida. Sem sua morte jamais frutificaríamos, permanecendo sem vida, longe de Deus. Sem ele jamais ganharíamos nova condição...jamais seríamos perdoados e reconciliados. Mas, porque alguém perdeu por nós, podemos ganhar; porque alguém pagou alto preço, com sua morte, então frutificamos em sua ressurreição.  O grão morto produziu vida...muitas vidas.

   Porém, tudo isso descrito é somente parte desse relato. Existe um complemento menos agradável aos nossos olhos. Menos desejado e por isso mais fácil de ser desconsiderado como parte integrante dessa mensagem ou simplesmente relativizado. É a segunda parte do texto, que não se refere a Cristo, mas aos cristãos, seus servos alcançados por sua morte. A indicação é clara: “Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.”. Essa frase mostra o que nosso Senhor espera de cada um de nós. Ele, a partir de seu exemplo, nos revela a necessidade da morte do que era antigo, da velha condição antes de sermos alcançados por sua graça.

   Eis um dilema do cristianismo atual, pois queremos a morte substitutiva do Cristo, mas não queremos que isto implique em nossa morte com ele. Por isso mantemos comportamentos, hábitos, planos, desejos, padrões, práticas que muito pouco ou nada se relacionam com o Reino de Cristo e sua vontade. Nos mantemos como que tivéssemos ganhado um prêmio da loteria – neste caso a salvação pela morte do Redentor – para desfrutamos neste mundo. A mesma pessoa, só que ganhador de um prêmio fabuloso.

   O problema inicial desse pensamento é que não somos mais a mesma pessoa ao passarmos pela Cruz. Éramos inimigos e fomos feitos filhos. Estávamos longe e fomos trazidos para perto. Não nos pertencemos mais. Temos um Senhor. Nossa mente e coração precisam ser transformados e tudo...absolutamente tudo em nós deve glorificar a Cristo. Por isso o Apóstolo Paulo diz...

“Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne. E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé, a fim de que aumente, quanto a mim, o motivo de vos gloriardes em Cristo Jesus, pela minha presença, de novo, convosco.” (Filipenses 1.21-26).

   Alcançado pelo “grão que morreu” para que ele vivesse, Paulo não vive como vivem os que não conhecem a Cristo. Mas sua vida toda foi ressignificada. Nada vale a pena longe de Cristo. O velho Paulo morreu! Sua antiga religiosidade morreu! Seus velhos planos morreram! Seus velhos conhecimentos morreram para ganhar novos parâmetros que glorificassem seu Senhor! Seus hábitos do passado foram renovados! Tudo se fez novo! Paulo não amou sua vida antiga porque ela estava morta. Mas, ao contrário, Cristo passou a ser sua vida! O velho Paulo morreu para que Cristo o vivificasse. Por isso pode dizer, “...para mim, viver é Cristo,...”. E enquanto sua vida terrena foi permitida, ele serviu ao seu Senhor mortificando a velha natureza.

   Será que esse exemplo se parece com minha vida? Será que sua prática cotidiana revela a morte de Cristo e também a sua própria morte para este mundo? Ou será que os valores e desejos desse mundo continuam norteando suas escolhas e planos. Será que amamos mais a Cristo que a este mundo? Ou será que esquecemos que não devemos amar o mundo nem o que nele há, porque este mundo passa? (João 2.15-17).

   Portanto, precisamos compreender que no cristianismo tem que se perder para ganhar e morrer para viver. Não existe outra possibilidade para que seja cristianismo de verdade! Ou é assim ou não é cristianismo!

   Logo, nossa oração é para que o Senhor faça mortificar o que tínhamos  antes da Cruz. Que nos desapeguemos do que não glorifica nosso Senhor. Que façamos isso sem medo e receio de estarmos perdendo algo bom ou de valor relevante...pois nada há de bom longe Cristo. Como ele mesmo disse: “Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará”. (João 12.26). Então, diante dessa verdade, não olhe para trás, para o que é da antiga natureza, e confie,  simplesmente, confie e viva vida abundante, verdadeira, com Cristo!

 


   Autor
   Pr. Ilton Sampaio de Araújo

Ilton S. Araújo é pastor na Igreja Congregacional Campograndense, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, graduado em História e MBA em Gestão em Educação. Ilton é diretor pedagógico e também professor no Seminário Teológico do Oeste.


 

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