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(Genesis 39:2)  Mas o Senhor era com José, e ele tornou-se próspero; e estava na casa do seu senhor, o egípcio.

C
omo recomeçar a vida, quando tudo parece desmoronar? Como pensar na continuidade de uma história se o prognóstico aponta para o encerramento dela? E se os sonhos que planejávamos parecessem estar sendo abruptamente interrompidos? É possível que durante muitos momentos em nossa vida tenhamos sido confrontados com esse pensamento. Seja pela perda de um bom emprego, ou pela temporada de insucesso nos empreendimentos, ou por causa do recebimento de uma notícia difícil sobre o seu estado de saúde, ou talvez pelo conhecimento de coisas que não lhe agradaram, ou ainda porque algumas coisas que se esperavam não aconteceram da forma como gostaríamos que acontecesse. Tudo isso, parece minar projetos, e parece revelar de maneira impressionante que não podemos controlar um segundo de nossa história. Isso intensifica nossa percepção da incapacidade de sustentação do futuro. Uma vez cheguei à constatação que a incerteza e a insegurança quanto aos dias vindouros compreendem parte da sala principal da aula mais importante que Deus fornece ao crente – que Ele é o autor e sustentador da História e não nós.

           Esta percepção nos leva a constatação lógica de que nessa história não somos protagonistas, mas Deus é. Como mencionei, minhas reflexões dão prosseguimento à história de José. Falamos primeiramente sobre o primeiro capítulo da série (Gn 37), e agora caminhamos para sua continuidade (em Gn 39). O trecho de hoje nos mostra como Deus é capaz de suscitar mesmo de momentos de incerteza, momentos de baixa, momentos de aparente desfavor elementos para suscitar a Sua própria vontade. Lembrando que depois do livro de Gênesis narrar um pouco sobre a vida depravada de um de seus irmãos, Judá, a história retoma José – vendido para a casa de Potifar.

            A primeira coisa que chama nossa atenção é que a história que termina triste no capítulo de número 37, não parece ter a mesma conotação quando possui seu prosseguimento no capítulo 39. Ao passo que podemos sentir o drama da família de José, por causa de sua ausência – o que pode ser identificado quando seu pai, ao tomar conhecimento do desaparecimento de seu filho, não se deixa ser consolado por nenhum de seus irmãos; conseguimos vislumbrar que onde José está ocorre alegria. Talvez isso também nos ajude a dimensionar a gravidade do que significou para a família de José a sua ausência. Não quero enfatizar nada exageradamente místico na vida de José, a não ser referir aquilo o que o próprio texto menciona: O Senhor era com José. Esta fala demonstra e serve por nos fazer entender que nada do que está acontecendo em sua vida está desconectado dos propósitos do Senhor.

            A presença de José faz bem aos que estão a sua volta, não apenas porque ele é alguém habilidoso, possui um bom caráter, é alguém diferenciado, ou mesmo é bonito, mas seu diferencial está sempre relacionado ao mesmo fato, Yahweh está com ele. Parece haver uma relação de profunda intimidade com Deus em José que faz com que todas as suas decisões sejam sempre tomadas em consonância com aquilo o que Deus deseja que ele faça. Ao mesmo tempo, a percepção logica é que tudo o que faz, quando faz e como faz, prospera de maneira natural.

            A história de José é tão bela pela representação perfeita do Evangelho de Cristo Jesus, assim como  evidencia um verdadeiro homem de Deus. Ela não é apenas a história de alguém que é vendido por seus irmãos, mas de alguém que sofre e padece por permanecer fiel a Deus. O texto menciona que José era alguém formoso. Esta característica chamou atenção da esposa de Potifar. E aqui o texto demonstra algumas qualificações em José que se mostram muito diferentes de como nossa sociedade define a masculinidade nos dias atuais. Enquanto, para alguns da sociedade hodierna, ser homem passa pelo exteriótipo de ser um “garanhão”, José demonstra que masculinidade bíblica jamais extrapolará os mandamentos do Senhor. Ele enfatiza que sua fidelidade e gratidão a Potifar não estavam veiculadas a sua presença, mas ele o servia mesmo sem que estivesse por perto. A integridade de José não tem a ver com o fato de que ele tem um caráter invejável apenas, ou mesmo que ele é alguém bom – mas está diretamente relacionada ao temor do Senhor. Este é o exato motivo pelo qual ele foge da mulher de Potifar. Sua declaração vai além de alguém que não deseja transgredir contra seu senhor, mas Ele não deseja pecar contra Deus, preservar-se de tocar aquilo o que não é seu.

            O temor do Senhor é o elemento pelo qual José vê o mundo. Ver o mundo pelo prisma do temor ao Senhor, significa ter a exata noção de que tudo pertence a ele de que Ele tudo vê. Homens têm seus comportamentos alterados, por causa da forma como o enxergam. Exatamente, porque a forma como enxergamos a Deus, impacta na forma como vemos tudo que está a nossa volta. Esta é a maneira mais clara de entendermos e associarmos a resposta de José a mulher de Potifar quando armou uma cilada para tentativa de o cooptar.

            Não é possível pensar que José vislumbrava o lugar onde Deus o levaria, mas sua conduta considera a certeza de que Deus o estava acompanhando em tudo que se processava em sua vida e principalmente, que não importa onde estivesse, ele continuava a caminho dos propósitos do Senhor. Por isso, na certeza de que Deus tudo vê ele declara: COMO EU PECARIA CONTRA DEUS?

            O desfecho da história parece tragico, pois para José, escolher a fidelidade, escolher dizer não para o pecado, redundou em mais uma mudança dura em sua história. Como se não bastasse ter sido vendido como escravo por algo que não havia feito, agora ele seria preso como escravo, por um pecado que não havia cometido. Contudo, é no mínimo intrigante que por causa da calúnia levantada pela mulher de Potifar, ele tenha sido lançado no exato lugar onde Deus tornaria visível a ele aquilo o que tinha vislumbrado apenas em sonhos. Ali era o ultimo lugar que viveria antes que seus sonhos fossem por Deus tornados reais.

            Devemos entender como essa realidade apresenta algo muito maior do que  um plano de sucesso para seres humanos que tenham se sentido humilhados. Seria comum que as pessoas pensassem que estou falando para você para que se observe como alvo da exaltação que se prosseguirá. Não, este texto não diz respeito a mim ou a você, mas ele aponta para alguém que realmente foi humilhado, que foi caluniado por se manter firme aos princípios da palavra de Deus. Esta história ecoa Provérbios 29:23, que diz: “O orgulhoso sempre acabará sendo grandemente humilhado; em contraste, chegará o dia em que o humilde receberá honra e glória”.

            A ideia de que os humilhados serão exaltados é universalmente atribuída aos homens de maneira indiscriminada, como se existisse entre nós algum homem que tenha sido realmente humilhado. Alguém que é humilhado é alguém que recebe de maneira desonrosa algo que não merecia receber, algo que é contrário a sua real condição. Os homens pós-queda são totalmente dignos de receberem qualquer tipo de punição que reproduza seu estado natural pecaminoso. Nenhum homem é humilhado ou recebe algo que não mereça receber, por causa de suas maldades. Porém, a Escritura registra que há um que, subsistindo em forma de Deus, não estimou a si mesmo em ser igual a Deus, antes esvaziou a si mesmo, humilhou a si mesmo e assumiu a forma de escravo, fazendo-se semelhante aos homens. E sendo encontrado como homem, se auto-humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de Cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, garantindo – concedendo a ele um nome que é sobre todo nome – para que ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, na terra e abaixo da terra. Ele é Cristo, Ele é aquele que foi humilhado, mas também foi plenamente exaltado. Essa é a história para onde este texto aponta.

            Se algum dia pensarmos que estamos sendo humilhados, não tenha esperanças de que algo vai acontecer que nos tirará desta condição – tenhamos a certeza de que o Senhor está dando oportunidade de sermos bem aventurado, como quando lemos na Palavra do Senhor: “Bem aventurado sois vos, quando vos injuriarem, e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós, por minha causa”. Isso é a oportunidade de viver o que Cristo viveu de maneira bem reduzida. Cristo se alegra quando permanecemos nele, a despeito das circunstâncias. Quando demonstramos que o temor do Senhor está em nossos olhos, na certeza de que Cristo rege nossa vida. Aleluia!


   Autor
   Pr. Jonatas Bento

Jontas Bento é pastor na Igreja Metodista Ortodoxa no Km32, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Especialista em Teologia Bíblica AT. Jonatas também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

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