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II Co 8.11: “Completai, agora, a obra começada, para que, assim como revelastes prontidão no querer, assim a leveis a termo, segundo as vossas posses”

H
á alguns anos, li essa frase como título de uma matéria em uma revista sobre relações no ambiente de trabalho. Confesso que, depois de todo esse tempo, não me recordo quem é o seu autor original, mesmo que já tenha percebido seu uso em diversos tipos de postagens diferentes nesse tempo. No artigo que li anos atrás, o autor discorria sobre a tendência de muitos de terem ótimas ideias, excelentes iniciativas ou sugestões perspicazes sobre o que deve ser feito e a forma como as coisas devem ser realizadas no ambiente corporativo, mas que não conseguiam dar andamento a esses “projetos”. Iniciavam bem, mas, por vários motivos diferentes, não conseguiam dar uma boa “acabativa” àquela iniciativa.

Creio que em nossas comunidades cristãs o cenário não seja tão diferente. É comum vermos irmãos que sempre se prontificam para fazer algo na igreja ou se disponibilizam para assumir compromissos, mas que, depois de algum tempo ou das primeiras dificuldades, desistem no meio da caminhada. Quantos se unem às igrejas locais fazendo votos de empenhar-se em expandir o Reino de Deus e trabalhar pela comunhão fraternal, mas, ao se deparar com os problemas, optam por mudar de igreja e “recomeçar”. Quantos têm excelentes ideias de atividades evangelísticas, mas não se mantém ativos após alguns dias de trabalho árduo. Quantos começaram no ministério pastoral e abandonaram após as decepções do dia-a-dia. Temos muitas ideias e fazemos muitos planos, mas, sinceramente, quantos têm sido levados à frente? Temos tido dificuldade de cumprir com os compromissos que assumimos, sejam eles estabelecidos com os irmãos, com a igreja local ou mesmo com Deus. Somos muito bons em iniciativa, mas muito ruins em acabativa!

O apóstolo Paulo trata com a igreja do Corinto exatamente sobre isso no texto que lemos acima (II Co 8.11). O assunto é sobre ofertas, mas sua orientação pode ser expandida para todas as áreas da vida. A exortação é “completem a obra”! Com a mesma prontidão e vontade com que começaram, terminem! “[...] assim como revelastes prontidão no querer, assim a leveis a termo”! Note que o apóstolo elogia a disposição deles de estarem prontos a querer ajudar. Não era uma questão de obrigação, mas de amor aos demais irmãos e, por isso, são dignos de elogio de Paulo. Entretanto, o fato de estarem fazendo por disposição voluntária, não impede o apóstolo de insistir para que não retrocedam no que eles haviam se voluntariado a fazer.

Os irmãos de Corinto não são solicitados a fazerem mais do que podem. Não lhes é exigido algo que não tem como realizar. Isso fica claro pela expressão “segundo as vossas posses” no final do verso 11 e pelos versos seguintes: “Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem. Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta.” (II Co 8.12-15). Contudo, aquilo que eles podem fazer e se dispuseram a realizar, devem cumprir.

A ideia que nos é transmitida é a mesma que Paulo transmitiu a igreja em Roma: “tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria” (Rm 12.6-8) ou o que o autor de Eclesiastes disse sobre os trabalhos nessa vida: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” (Ec 9.10). A essência desse ensinamento é que devemos nos dedicar a fazer aquilo que nos propomos a fazer para Deus e sua obra. Há muita coisa a ser feita para a expansão do Reino de Deus. Apesar da seara ser grande, são poucos os trabalhadores. Muitos iniciam bem, mas desanimam ao longo do trajeto e abandonam seus planos, ministérios, igrejas... São bons de iniciativa, mas péssimos de acabativa!

Escrevo esse texto na semana em que regressamos às aulas no Seminário Teológico do Oeste. Quantos iniciam seu curso teológico com a firme convicção do chamado de Deus para sua vida, mas, após alguns períodos de estudo e diante das dificuldades que se apresentam, abandonam o curso sem muita dificuldade? Espero que esse não seja seu caso, caro aluno. Continue firme no propósito de se aperfeiçoar para servir melhor ao Senhor. Continue firme no desejo de prosseguir realizando aquilo que o Senhor tem colocado em suas mãos. Dificuldades surgirão, mas confie que Deus mesmo é quem te fortalece para “levar a termo” o seu curso e seu ministério.

Que Deus nos ajude a prosseguirmos até o fim com todas as iniciativas que se colocam diante de nós, para que sua obra progrida e seu nome seja exaltado. 



[ii] Judas usa, diversas vezes em sua epístola, “séries de 3”. É uma marca distintiva da sua característica literária, mas também bem presente na forma geral dos judeus escreverem.


   Autor
   Pr. Rodrigo Suhett

Rodrigo Suhett é pastor na Igreja Quadrangular do Bairro Adriana, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Teologia Bíblica. Rodrigo também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

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