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Sl 111.1: “Aleluia! De todo o coração renderei graças ao SENHOR, na companhia dos justos e na assembleia.”

 

S
ervindo a Deus há cerca de 25 anos na área de música na igreja, tanto cantando quanto tocando, posso dizer que já vi e vivi muitas situações diferentes no âmbito de grupos de música (também chamados de “ministério de louvor” ou “grupo de louvor”). Percebi a mudança que esse meio experimentou nesse tempo, trazendo alguns aspectos positivos, como a melhoria da qualidade técnica de forma geral, mas também aspectos negativos, como uma “profissionalização” que afastou verdadeiros adoradores em muitos “altares”.

Em todo esse tempo, o que mais me impressiona é como a música evangélica é um meio de propagação cultural em todo o nosso país, atingindo diferentes pessoas, em diferentes regiões e sem discriminar classe social ou faixa etária. Tanto nas “megaigrejas” localizadas nos bairros mais ricos das grandes metrópoles, quanto nas pequenas congregações de bairros humildes das cidades mais remotas, podemos encontrar um grupo de músicos e cantores que semanalmente estudam, ensaiam, tocam e cantam músicas em suas comunidades. Eu mesmo, no momento em que escrevo esse texto, estou aguardando a hora do ensaio para louvar a Deus com a música na igreja onde congrego.

Me arrisco a dizer que a igreja evangélica é o maior movimento de propagação artística em nosso país! Que outro movimento produz tantos músicos e cantores em tantos locais diferentes? É claro que os críticos irão me acusar de superestimar aqueles que estou chamando de músicos e cantores. Muitos são, na verdade, pessoas bem intencionadas, que compraram seu instrumento e aprenderam a tocar sozinhos ou com o auxílio da internet... Não estou julgando a qualidade do que é feito e sim o movimento que os leva a fazê-lo.

Essa extensão só nos mostra que, independentemente de toda a transformação, a área de música sempre foi importante no culto público, como forma de expressão de louvor e adoração da igreja, e que continua em franca expansão (às vezes, é verdade, ocupando um espaço maior do que deveria).

Só por isso, o tema já é muito relevante para nossa reflexão. Domingo à noite, dezenas de milhares de igrejas espalhadas pelo Brasil estarão cantando músicas em adoração a Deus, sendo conduzidas por milhões (isso mesmo!) de músicos e cantores. Além disso, o tema é extremamente importante porque vemos, em toda a Escritura Sagrada, a música como forma de louvor a Deus. O povo de Israel cantava no Antigo Testamento, a Igreja cantava no Novo Testamento, os anjos cantaram ao anunciarem o nascimento de Cristo e Apocalipse revela que os santos nos céus adoram a Deus com músicas. É interessante pensar que, apesar da pregação ser o serviço central no culto público, na eternidade não haverá mais pregação como a vemos hoje, mas continuará havendo música como expressão de louvor.

Assim, considero que o texto do Salmo 111.1 que lemos logo no início responde as 3 perguntas mais importantes que todos aqueles que servem em grupos de louvor Brasil a fora deveriam saber responder. Esses são, para mim, os 3 pilares que deveriam sustentar todo o nosso serviço com música nas igrejas. As 3 perguntas são: (1) O que?; (2) Como?; e (3) Onde?

  1. 1.      O que devo fazer quando estou cantando e tocando na igreja?

O texto começa com a expressão “Aleluia!”. Estamos tão acostumados a ela que passamos a repeti-la sem pensar no que significa. Aleluia significa “Louvai ao Senhor”. Mais do que isso, “louvai” significa, literalmente, “elogiai”, “falai bem”, “faça brilhar”. Assim, Aleluia traz a ideia de “Elogie ao Senhor”.

Observe que esse aspecto é o mais importante dos 3 que tratarei nesse texto. Ele mostra tanto o destinatário das nossas músicas (o Senhor), quanto o conteúdo delas (elogios a Ele). Nossas músicas não podem ser direcionadas para nós mesmos, para engrandecer o homem ou exaltar-nos, como, infelizmente, é muito propagado nas canções evangélicas atuais. A música serve para elogiar, falar bem do nome de Deus. Ela serve ao propósito de fazer com que o nome de Deus brilhe para que todos possam vê-lo através das letras que entoamos! O foco é teocêntrico!

Quando cantamos em nossos cultos, deveríamos usar músicas que tratassem de quem Deus é, da obra de Cristo, dos seus atributos, de forma que aqueles que ouvem e cantam essas músicas saíssem ainda mais admirados da beleza divina após entoá-las! Elas não deveriam servir a nós, mas deveriam ter o propósito de expressar nossa gratidão e amor por Ele!

  1. 2.      Como devo cantar e tocar na igreja?

A segunda pergunta trata do “como” devo fazê-lo. O salmista nos exorta a “elogiar ao Senhor” (Aleluia) de “todo o coração”. Lembre-se que coração na linguagem bíblica é muito mais do que emoção. Coração fala da essência do ser do homem, compreendendo suas emoções, sentimentos e razão. Isso significa que quando canto ou toco no momento de música na igreja, devo fazê-lo empenhando todas as minhas emoções, sentimentos e a minha razão nesse serviço. Não dá para imaginar que para tocar na igreja basta ser um bom músico, dominar a técnica instrumental ou vocal e saber a sequência melódica. Não! É muito mais do que isso! É algo que domina nossas emoções e sentimentos, pois é uma expressão de amor a Deus! Por outro lado, não basta ter emoção e não saber “montar” os acordes ou desafinar a todo instante... Coração também envolve razão e, portanto, envolve a técnica relacionada com o canto ou com o tocar dos instrumentos.

Deve ter ficado claro que é muito mais do que tocar ou cantar. É se dar por inteiro, de todo coração, diante de Deus enquanto o serve com o dom que Ele mesmo nos deu. Por isso, não deveríamos cogitar a ideia, como tem acontecido, de contratar músicos profissionais incrédulos para tocar nos cultos, como se bastasse o aspecto técnico.

  1. 3.      Onde devo cantar e tocar?

A última pergunta é respondida no final do verso 1. Esse serviço de “elogiar a Deus” com nossas músicas de “todo o nosso coração”, o que envolve nossas emoções, sentimentos e razão, deve ser realizado “na companhia dos justos e na assembleia”. Somos chamados a desempenhar nosso dom na comunidade cristã. Não em qualquer lugar. Não onde acharmos que obteremos mais reconhecimento. Somos chamados a, juntos com nossos irmãos, na assembleia dos justos, adorarmos a Deus com nossos cânticos.

É claro que não sou contra tocar ou cantar em outros ambientes, mas o texto deixa claro que nossa prioridade é servir a Deus e a nossos irmãos com o dom da música que o Senhor mesmo nos deu. Há tantos músicos e cantores cristãos talentosos que tem desperdiçado seu dom, usando-o para outros fins que não sejam o louvor congregacional. Fomos chamados para usá-lo em comunhão com nossos irmãos!

Sei que esse é um ponto espinhoso. Muitos têm sido seduzidos pela tentação do orgulho ou do sucesso e passaram a usar seu dom para fins comerciais, abandonando completamente a visão comunitária. Entenda meu ponto. É justo que um irmão que se dedica a cantar ou tocar profissionalmente tire disso seu sustento. Entretanto, não considero lícito se isso se tornar um empecilho para o louvor comunitário em determinadas igrejas. Se há cobrança de cachê, muitas vezes na ordem dos milhares de Reais por uma noite, ou exigências exorbitantes de aparelhagem, inviabilizando a presença deste cantor ou músico em 99% das igrejas brasileiras, fico na dúvida se não há uma priorização no comércio do dom... É justo ser suprido pela igreja, mas é injusto exigir algo que nem Cristo ou os apóstolos exigiram nos seus ministérios.

Outra implicação desta parte do verso é que os que servem na área de música estão, literalmente, servindo à assembleia dos justos. Isso implica em fazer música para servir a Deus através do serviço à Igreja. Muitos grupos se fecham em suas preferências musicais e só tocam as músicas que seus membros gostam ou se identificam. A igreja passa a ser refém do gosto musical de um grupo pequeno. Isso não combina com a ideia de louvor congregacional. É verdade que cada igreja local acaba desenvolvendo uma “personalidade musical” própria e isso é bom, mas precisa ser algo que envolva a igreja (jovens e velhos, homens e mulheres) e não se mostre como um autoritarismo daqueles que detém o microfone.

Se o grupo de louvor estiver alinhado com a liderança pastoral da igreja, o período de cânticos irá trabalhar preparando os corações para a pregação. A comunidade será edificada previamente e, no momento da pregação, a mensagem encontrará eco nas músicas e não contradição. Uma das minhas maiores vitórias nesses quase 25 anos foi ter conseguido fazer com que aqueles que escolhem o repertório musical do culto leiam antecipadamente o texto da pregação para optarem por músicas que sejam coerentes com o tema que será pregado. E como tem sido bom cantar louvores que elogiam a Cristo, de todo o nosso coração, em comunhão com nossos irmãos, preparando as mentes para a mensagem que será pregada!

Que o Senhor, único digno dos nossos cânticos, sejam louvado pelas músicas que entoamos e pela forma como tocamos. Aleluia!

 


   Autor
   Pr. Rodrigo Suhett

Rodrigo Suhett é pastor na Igreja Quadrangular do Bairro Adriana, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Teologia Bíblica. Rodrigo também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

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