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 Mt 1.21: “Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”

 

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ecentemente fui ao cinema com meus filhos para assistir o filme “Liga da Justiça”. Para aqueles que, como eu, gostam de filmes de heróis é um prato cheio (recomendo!). Bastante ação, algumas surpresas e um vilão derrotado no final. Mais do que isso, esse filme me fez relembrar meus tempos de criança e como cresci assistindo os desenhos da Liga da Justiça na TV. Já disse em outro texto (artigo:Super-herois-nao-existem) que o Batman e o Superman eram (e continuam sendo) os meus super-heróis favoritos na infância e a Liga da Justiça um dos meus desenhos prediletos.

 

Nostalgia à parte, fiquei interessado na forma como o filme foi construído. A narrativa por trás da história me chamou tanto a atenção que fui ver novamente (sozinho, outro dia, sem as crianças...) só para poder prestar atenção nos detalhes.

 

A história gira em torno de um vilão que surge não com o interesse de dominar o mundo, como os que normalmente vemos, mas com a intenção de destruí-lo. Ele recupera o poder contido em 3 “caixas maternas” e cria um exército para destruir o nosso planeta. A única esperança para a humanidade, como já era de se esperar, se apoia nos super-heróis que formariam a Liga da Justiça. Entretanto, o filme é claro ao mostrar os defeitos e incapacidades desses “sobre-humanos”. Eles enfrentam tristezas, decepções, medos, insegurança, egoísmo e vaidades. Não é fácil reunir esse grupo... Nesse ponto, a trama se volta na busca de um herói que possa representar o bem e liderar aquela equipe na luta mais importante que eles enfrentariam. Além disso, esse herói deveria ser alguém capaz de dar esperança à humanidade. O Superman surge, então, como uma figura “messiânica”, ressurreto dos mortos (desculpe o spoiler...) para combater o mal, personificado no “Lobo das estepes”, e salvar a humanidade. Mas, mesmo ele, que é apresentado como o modelo de virtude, também tem seu lado humano, expresso em rancor e ódio. A mensagem final do filme é que não existem super-heróis perfeitos, sem defeitos, mas que a união deles pode salvar o mundo. Por isso, o tema de divulgação do filme foi “Você não pode salvar o mundo sozinho”.

 

A narrativa por trás do filme me fez pensar em uma Metanarrativa que abrange toda a história da humanidade. Não te parece familiar a figura de um vilão que tenta destruir a humanidade, formada por pessoas com defeitos e que, mesmo seus melhores heróis, tem problemas e incapacidades? Não ouviu em algum lugar uma história de um herói que concentra em si a virtude, que foi morto e trazido de volta à vida para poder vencer a força do mal que ameaça os homens? Apesar de algumas distinções, essa história me faz lembrar da metanarrativa da queda-redenção contada nas páginas da Escritura Sagrada. Costumo pensar que, se olharmos com atenção, veremos esses “ecos” da verdade bíblica espalhados pela nossa cultura...

 

O trecho de Mateus 1.21 que lemos logo no início desse texto mostra o anjo dizendo a José que o menino deveria se chamar “Jesus”. Esse nome significa “Yahweh salva” ou “Yahweh é salvação”. O próprio anjo indica o motivo da escolha do nome dele: “porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”. Não haveria nome mais apropriado para o Filho de Deus encarnado! Ele veio para salvar seu povo e seu nome indica sua missão.

 

Observe, então, alguns aspectos interessantes na fala do anjo. Em primeiro lugar, o nome revela que “Deus salva”, mas o anjo diz que “ele (Jesus) salvará o seu povo”. Nessa conjunção de expressões está implícito que Jesus é Deus! Ele é o instrumento divino, o Cristo (ungido) de Deus para trazer salvação. Mas, mais do que isso, ele encarna em si mesmo a divindade que salva. Jesus é o Deus encarnado que vem trazer salvação! Dois versos a frente (Mt 1.23), essa ideia fica ainda mais clara quando ele é identificado pelo nome Emanuel, que quer dizer Deus conosco. Jesus não é um super-herói. Ele não é somente um grande homem. Ele não é apenas o maior dos profetas. Ele é Deus! Ele é um Deus que se empenhou em trazer salvação.

 

O segundo aspecto que chama a atenção é o alvo da salvação trazida por Cristo. Às vezes, as pessoas afirmam de forma apressada que Jesus veio salvar o mundo ou todos os homens. Essa afirmação não é verdadeira... O próprio texto nos mostra que ele “salvará o seu povo”. Não diz que ele salvará todos os homens. Isso seria universalismo! Diz que ele salvará seu povo. A pergunta que se levanta, portanto, é: quem é o seu povo? Seriam os judeus? Com certeza não, pois eles o rejeitaram. É mais fácil responder essa pergunta ouvindo o próprio mestre. Em Mc 10.45 ele diz que veio para “dar a sua vida em resgate por muitos.” Não por todos, mas por muitos. Em Jo 10.14-28 essa ideia é reforçada: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor. [...] Respondeu-lhes [aos fariseus]: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão”. O povo de Deus, escolhido por ele mesmo antes da fundação do mundo (Ef 1.4), ouve a sua voz e é salvo por Cristo. Ele veio para salvar o seu povo!

 

Outro aspecto que a mensagem do anjo expressa é do que o povo deve ser salvo: “ele salvará o seu povo dos pecados deles”. Esse povo precisa ser salvo porque é um povo pecador e é exatamente disso que ele precisa ser salvo! Ninguém é tão bom que não necessite desesperadamente de salvação. Todos somos pecadores (Sl 51.5; Rm 3.10). Todos carecemos da graça de Deus. Todos nós precisamos ser salvos. E Cristo veio para nos salvar dos nossos pecados. Purificando-nos dos nossos pecados, temos paz com Deus (Rm 5.1) e, reconciliados com Ele, somos livres da ira divina (Rm 5.9). Seu sangue na cruz cobriu a multidão dos nossos pecados e afastou-os de nós.

 

Por fim, a mensagem do anjo ainda nos revela que ele faz essa obra sozinho: “ele salvará”. Se na ficção mostrada no filme da Liga da Justiça todos os heróis são incapazes de salvar a humanidade sozinhos, na história real do ministério de Cristo ele é suficiente para, sozinho, salvar o seu povo dos seus pecados. Não há quem tenha condições de ajuda-lo nesse serviço. Ninguém foi encontrado justo ou digno diante de Deus (Ap 5.3). Quando estava na cruz, sozinho ele carregou o peso do pecado daqueles por quem morreu. Sua obra não necessita de complemento ou ajuda. Ele cumpre em nós a sua vontade e, na cruz, exclamou: “Está consumado”!  

 

Nós não podemos salvar o mundo. Nem nossos melhores heróis são capazes disso. Mesmo que nos uníssemos, toda a humanidade, para uma obra desse porte, não chegaríamos nem perto de concretizá-la. Cristo é o único e suficiente salvador do seu povo. Ele sozinho pôde salvar seu povo, livrando-os do pecado, da morte e da ira eterna.

 

Louvemos o seu nome! Adoremos a Ele, o verdadeiro herói!

 

 


   Autor
   Pr. Rodrigo Suhett

Rodrigo Suhett é pastor na Igreja Quadrangular do Bairro Adriana, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Teologia Bíblica. Rodrigo também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

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