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“Mt 1.23: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco

 

C
hegamos a mais um Natal. Mais um ano se passou e, novamente, já vemos as luzes enfeitando os cenários de árvores, presépios e “Papais Noéis” espalhados pelos shoppings, casas e lojas da cidade. Apesar de sabermos que essa festa assumiu um caráter essencialmente comercial em nossos dias e que, na realidade, não é precisa na datação do período em que nosso Senhor encarnou, creio que é uma boa oportunidade para, movidos pela exposição do tema, refletir sobre o real significado do Natal (deveríamos fazer isso todos os dias, mas me refiro à relevância de não desperdiçarmos a oportunidade circunstancial para fazê-lo nessa época).

Gostaria de refletir com você sobre esse texto de Mateus 1.23. O evangelista, narrando o nascimento de Cristo, utiliza uma profecia de Isaías 7.14 como validação do que está acontecendo em Belém. Jesus nasceu de uma virgem para que se cumprisse o que Deus havia profetizado séculos antes. Por si só, esse fato nos mostra que o nascimento de Cristo não foi algo fortuito, mas uma determinação do plano divino de redenção do homem que inicia seu desenvolvimento no Éden, mas que estava planejado “antes da fundação do mundo” (cf. Ap 13.8).

Outo aspecto interessante a ser observado nesses versos é o destaque para o fato de que Jesus nasceu de uma virgem. O nascimento de Jesus lembra especialmente algumas mulheres do Antigo Testamento que também tiveram filhos em condições miraculosas, como Sara, Raquel e Ana. Contudo, essas mulheres eram estéreis, enquanto Maria era virgem quando da concepção e nascimento de Jesus. Essa alusão é utilizada para ressaltar e amplificar o que havia ocorrido no Antigo Testamento. Deus controlara a fertilidade na linhagem de Abraão, gerando filhos de mulheres estéreis, para que a semente permanecesse. Agora, o milagre é intensificado, pois, se é um milagre um nascimento a partir de uma mulher estéril, ainda mais impressionante e poderoso é aquele que faz a virgem dar a luz.

Entretanto, o ponto que mais chama a minha atenção nesse verso é o nome que é dado a ele: Emanuel, que significa “Deus conosco”! Temos a tendência de olhar essa expressão e nos concentrarmos apenas no aspecto de que Jesus é Deus e que ele nasceu entre nós. Ele é “Deus conosco” porque se fez homem e habitou entre nós. Isso é verdade, mas creio que seja só metade da história.

Observe comigo de onde Mateus tirou essa citação. No contexto de Isaías 7, o profeta havia dito ao rei Acaz de Judá que ele deveria confiar no Senhor. Judá estava ameaçada pelos reis de Israel e da Síria que se uniram para guerrear contra Acaz e Deus enviou Isaías para trazer uma mensagem de consolo e segurança para o rei, afirmando que Ele os protegeria. Mas a resposta de Acaz é incrédula e duvidosa (Isaías 7.12). Ele não acreditou que a profecia fosse verdadeira. Nesse cenário, há a promessa de um sinal da intervenção divina e que “Deus seria conosco” através do filho de uma virgem. A promessa é, portanto, uma repreensão à incredulidade de Acaz. Deus estaria no meio deles, a despeito do rei ser um incrédulo. Portanto, a promessa tem uma dupla aplicação: pelo fato de Deus estar no meio deles, o Senhor livraria o seu povo dos exércitos inimigos (Is 7.16), mas também Acaz e sua casa seriam punidos pela incredulidade (Is 7.18-20). As duas coisas ocorreriam pelo fato de Deus estar com eles, dele ser Emanuel.

Note, então, que “Emanuel: Deus conosco” é, por um lado, a mensagem positiva da presença amorosa de Deus sobre o seu povo, mas, por outro, a mensagem negativa de punição sobre os incrédulos. “Emanuel” é benção para os que creem, mas maldição para os que não creem! Percebe como mostrar apenas o lado “fofinho” da história, como costumamos fazer nos nossos sermões natalinos, é omitir metade da verdade? É apresentar o lado agradável da moeda e esconder o lado que ninguém quer ouvir. É mostrar o Deus que está entre nós para nos amar e salvar, mas omitir que o mesmo Deus está entre nós para julgar e punir os incrédulos. Talvez você diga assim: “Mas no Natal, não é melhor falar só do amor e trazer mensagens positivas?” Eu te responderia com outra pergunta: “Que mensagem mais amorosa eu posso dar a uma pessoa do que informar a ela que está condenada, mas que Deus está entre nós para salvá-la dessa morte iminente, desde que ela se arrependa?” Percebe? Essa é a mensagem do evangelho!

 

A dupla mensagem do “Emanuel” está presente em toda a Bíblia e vou te dar alguns exemplos:

- No Éden, antes do pecado, Deus era o Emanuel, pois estava com eles em todo o tempo em uma relação amorosa. Após o pecado, Deus se fez entre eles, procurando-os no jardim, mas a separação era inevitável, primeiro quando se esconderam e depois quando foram expulsos. O Emanuel trouxe perdão e separação, misericórdia e juízo;

- No tempo de Nóe, Deus estava com eles, o que trouxe salvação para Noé e sua família, mas morte e destruição para todos os homens;

- Nos dias de Babel, o Emanuel se manifestou entre eles, confundindo as línguas e espalhando-os por toda a terra;

- Nos dias de Abraão, o Emanuel se apresentou e fez uma aliança de abençoar a semente do patriarca de Israel. Ele apresentou, estando entre eles, que iria “abençoar os que te abençoarem e amaldiçoar os que te amaldiçoarem” (Gn 12.3). Novamente, sua presença manifesta benção e maldição. Benção para o seu povo e maldição para os infiéis;

- No tempo de Moisés, vemos a ação do Emanuel, na intervenção divina no Egito para resgatar seu povo. Para Moisés e os israelitas, Deus deu 10 sinais do seu poder e graça, mas para os egípcios foram 10 pragas;

- Quando o Emanuel se manifesta no topo do Monte, Moisés se aproxima e fala diretamente com ele, mas o povo tem medo e se mantém afastado, porque sabem que a presença de Deus traz vida, mas também morte;

- No tempo de Josué, Deus estava entre eles, trazendo a posse da terra e o cumprimento da promessa para seu povo, mas morte e desterro aos demais povos que habitavam ali;

- No tempo da monarquia, o Emanuel trouxe vitórias e expansão para o rei Davi, mas derrotas aos inimigos vizinhos. O fato de Deus estar entre eles (ser Emanuel) trouxe vida para uns, mas punição para outros;

 

Além desses exemplos, podemos olhar também como o Templo nos mostra essa realidade. Na inauguração, a nuvem da presença de Deus enche o lugar, trazendo sua glória, mas quando o povo se mostra rebelde, a presença abandona o Templo (Ez 10.18-19; 11.23) e a arca é roubada como manifestação de que Deus retirara a sua presença do meio deles. Entretanto, havia uma promessa de que Deus estaria conosco novamente, no novo e definitivo Templo (Ez 40) que traria a glória de Deus de volta (Ez 44.4). Essa profecia de Ezequiel se cumpriu não na reconstrução do Templo no tempo de Zorobabel, Esdras ou Neemias. O povo que ouviu o apelo de Ageu e Zacarias e trabalhou na reconstrução do tempo, quando viu a conclusão da obra chorou porque não era glorioso como o primeiro (Ed 3.12-13). O texto não diz que a glória de Deus enchera o Templo como ocorrerá no tabernáculo nos dias de Moisés ou como aconteceu no primeiro templo nos dias de Salomão. Essa promessa só se cumpriu quando Jesus, o Emanuel, se fez presente entre nós. Ele é o verdadeiro templo que manifesta a presença de Deus (Jo 2.19-22). Ele é o Emanuel, o Deus conosco! 

Espero que você tenha percebido, ao longo desse texto, que a mensagem contida no nome Emanuel é muito mais do que uma mensagem de conforto e segurança. É também uma mensagem de alerta, de advertência e de chamado ao arrependimento. É o duplo aspecto da mensagem do evangelho!

Que nesse Natal não nos esqueçamos de que Deus é conosco. Que esse nome traga a nossa memória que Cristo nasceu e que sua vida, ministério, morte e ressurreição trazem salvação, vida eterna, alegria e segurança aos que creem, mas também trazem morte, punição e castigo aos incrédulos.

Qual o efeito o nome “Emanuel” tem em você? Vida ou Morte? Se sua resposta sincera for a segunda, volte-se a ele em arrependimento e fé para que a presença do Emanuel traga vida eterna e esperança inabalável para você.

Feliz Natal e que o Emanuel reine em nossos corações!

 


   Autor
   Pr. Rodrigo Suhett

Rodrigo Suhett é pastor na Igreja Quadrangular do Bairro Adriana, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Teologia Bíblica. Rodrigo também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

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