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Rm 12.6-7: “tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: [...] o que ensina, esmere-se no fazê-lo”

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uitas pessoas perguntam se fazer um curso de Teologia é somente para pessoas que desejam ser pastor. Às vezes, costuma-se até confundir imaginando que Teologia é “curso para pastor”. Isso não é verdade. A Bíblia mostra que quem dá o ministério pastoral é Deus e quem o reconhece é a Igreja. Entretanto, também precisamos considerar que todos aqueles que se dedicam ao ensino deveriam aprofundar-se no conhecimento daquilo que ministram. Isso serve para todas as áreas do conhecimento e, em especial, no campo de ensino bíblico.

 

É comum muitas pessoas afirmarem assim: “Não preciso estudar Teologia. O Espírito Santo me revela a sua Palavra diretamente. A letra mata e os seminários acabam por esfriar o crente!” Tudo bem. Cada um tem o direito de pensar o que desejar. Mas será que essa mesma pessoa iria se tratar em um médico que nunca estudou em uma faculdade de medicina e que afirma ter aprendido a fazer cirurgias por uma instrução espiritual miraculosa? Ou será que ele andaria em um avião projetado, construído e pilotado por uma pessoa que nunca estudou engenharia aeronáutica e nem mesmo fez nenhum curso de pilotagem, por mais crente e fervoroso que esse “piloto” seja? Será que ele colocaria uma causa muito importante na justiça confiando em um advogado que nunca se sentou em uma aula de direito?

 

Percebe o contraditório aqui? Nenhum de nós teria coragem de entregar nossos filhos para serem tratados por uma pessoa que não é um médico pediatra, mas temos coragem de dizer que a instrução teológica nas igrejas pode ser administrada por pessoas que nunca estudaram teologia. A situação se complica ainda mais quando falamos de ensino de crianças em nossas EBDs. Parece que o único pré-requisito para ser professor de criança é ser animada, simpática, gostar de brincadeiras e conhecer, mesmo que superficialmente, os principais personagens bíblicos. Entregamos nossas crianças para pessoas que, muitas vezes, são até bem intencionadas, mas não estão capacitadas a ensiná-las corretamente as Escrituras.

 

Observe, então, que não estou falando aqui somente de pastores. O texto de Romanos 12.6-7, que lemos no início, não distingue os pastores, mas afirma que todos os que ensinam, sejam eles pastores, discipuladores, professores de EBD, etc, devem fazê-lo com esmero, com dedicação.

 

O que está por trás desse desprezo pelo estudo teológico, como se somente os pastores precisassem estudar Teologia, é uma falta de percepção de que, na verdade, todos nós somos teólogos! Mesmo o ateu, quando diz que Deus não existe, está fazendo teologia (uma má teologia, mas, mesmo assim, teologia!). Vou citar dois teólogos para clarear o que estou dizendo. R. C. Sproul disse o seguinte: “Nenhum cristão pode evitar a teologia. Todo cristão é um teólogo. Ele pode não ser um teólogo no sentido técnico ou profissional, mas ainda é um teólogo. A questão não é ser ou não ser um teólogo, mas se somos bons ou maus teólogos.” E o Joshua Harris falou que “a Teologia é importante porque, se temos uma teologia errada, toda a nossa vida será errada. [...] Todos somos teólogos. A questão é se o que sabemos a respeito de Deus é verdadeiro.

 

Percebe o meu ponto aqui? Quando você está dando aula na EBD, o que está fazendo é dar aula de Teologia. Pode ser uma boa ou uma má Teologia. Pode ser uma Teologia superficial ou mais aprofundada, mas, sempre será Teologia. Não podemos evitar isso.

 

Então, gostaria de convidar você a olhar criticamente para sua aula e se perguntar: Tenho feito o melhor que eu posso? Tenho me esmerado no ensino? É claro que há muitos irmãos dedicados e que tem feito o máximo que conseguem com as ferramentas que dispõem. O nome de Deus é glorificado quando esses homens e mulheres fiéis e sinceros entregam seu tempo e dedicação para servi-lo. A questão não é essa. A questão é que se você tem a possibilidade de adquirir mais ferramentas para o serviço de ensino, porque não fazê-lo? Se você tem a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos bíblico-teológicos para ministrar aulas melhores, porque evitar o estudo teológico? Todos nós precisamos estudar a Bíblia. Nunca saberemos tudo ou mesmo o suficiente dela. A Palavra de Deus é como uma fonte inesgotável a jorrar.

 

Obviamente, o conhecimento das Escrituras só é possível pela ação do Espírito Santo que ilumina o nosso entendimento para compreendermos a sua palavra. Contudo, o estudo teológico nos faz ter contato com aquilo que esse mesmo Espírito já fez nos homens do passado e que chegou até nós. Há aproximadamente 2.000 anos a Escritura foi completada pela inspiração divina. Em todo esse tempo, Deus tem usado homens em todas as épocas e lugares para estudar, sistematizar e organizar o conhecimento transmitido por Deus.

 

Podemos simplesmente desprezar a ação do Espírito Santo ao longo de dois milênios por considerar que ele pode “revelar” diretamente a nós a sua Palavra? Porque não usar o que Ele mesmo já ensinou ao longo de todo esse tempo a pessoas que se dedicaram ao estudo da Bíblia? Porque desprezar o benefício das ferramentas exegéticas e hermenêuticas no entendimento dos textos bíblicos que você irá tratar em sala de aula? Porque minimizar o benefício das técnicas homiléticas na transmissão do conteúdo e no esclarecimento dos seus alunos? Porque evitar o benefício que a Teologia Sistemática e a Teologia Bíblica podem dar para tornar mais claras as doutrinas bíblicas? Porque não enriquecer as aulas com o conhecimento da Geografia bíblica? Porque não se aprofundar nos textos ao perceber o significado das palavras em grego e hebraico? Porque deixar de notar como a Filosofia e a Sociologia humanistas moldam o pensamento moderno e como isso influencia os nossos alunos da EBD?

 

Note, não quero minimizar a ação do Espírito Santo, apenas mostrar que o Espírito instruiu servos do passado, através do estudo teológico, para ajudar as gerações futuras e que é arrogância desprezar toda essa ação divina ao longo da história. João Calvino, o reformador suíço, tinha uma expressão icônica: Orare e labutare. Ao usar essa expressão, que significa “oração e trabalho”, ele expressou a necessidade de suplicarmos, em oração, pela ação iluminadora do Espírito Santo, mas, também, a necessidade do estudo do texto como única forma de se ter uma correta interpretação das Escrituras Sagradas. É disso que estou tratando. Não estou incentivando você a deixar de orar, mas estimulando a intensificar seus estudos.

 

Esse é o recado que tenho aos professores de EBD. Orem e trabalhem (estudem) para dar as suas aulas. Em especial aos professores de crianças. É justamente nessa fase que elas estão formando sua visão de mundo e uma teologia fraca na EBD pode leva-los a ter uma visão equivocada da Bíblia, de Deus e, consequentemente, do mundo em que vivem.

 

Talvez você se pergunte: Preciso estudar teologia para dar aula na minha classe de EBD? Eu posso te responder com outra pergunta: Qual o nível de aula que você deseja transmitir aos seus alunos? Lembre-se, você está sempre fazendo e ensinando teologia. Pode ser boa ou má, superficial ou aprofundada, correta ou errada, mas sempre é Teologia.

 

Minha sugestão é: Estude!

 

Até quando? Sempre!

 

Com que profundidade? O mais profundo que você puder!

 

E qual será o resultado? Deus será glorificado por sua vida e de seus alunos edificadas nEle!

 

Que o Senhor te ajude a tomar uma decisão por aprofundar seus estudos teológicos! Nessa caminhada, todos nós somos e sempre seremos alunos sentados aos pés do mestre Jesus. Continuemos estudando a sua Palavra e nos aprofundemos no conhecimento que o glorifica!

 

 

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   Autor
   Pr. Rodrigo Suhett

Rodrigo Suhett é pastor na Igreja Quadrangular do Bairro Adriana, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Teologia Bíblica. Rodrigo também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

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