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E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (Jo 8:32)

 

E
xistem pelo menos três afirmações que percebemos nossa geração advogar, mas que na verdade não se tratam de verdades, ao contrário são afirmações danosas e que afastam ainda mais os homens de Deus. A primeira delas é que somos pessoas boas; A segunda diz que se Deus é um Deus amoroso Ele jamais poderia nos punir; E a terceira afirma que a verdade é relativa. Estas asserções entram em choque quando contrastadas com a Escritura Sagrada. Quero que reflitamos sobre os pontos inicialmente mencionados e percebamos que há apenas um remédio para o deleite da humanidade sobre a mentira, uma dose fatal da verdade.

 

Já esteve em algum funeral? Apesar do respeito que devemos prestar as pessoas que perderam o ente querido, penso que não existe momento tão propício a sermos confrontados com uma das grandes mentiras que costumamos acreditar. É comum, ao ouvirmos falar daquele que jaz ali, que se tratava de uma pessoa boa. Mesmo em funerais de pessoas que eram criminosos, não é anormal ver seus entes queridos buscarem eventos em suas memórias que aponte alguns atos que justificariam fornecerem ao moribundo, o título. Essa é a primeira grande mentira que gostamos de acreditar. Fazemos um somatório das ações que realizamos em nosso dia a dia e acabamos por constatar que na verdade somos pessoas boas.

 

A Bíblia atinge diretamente essa afirmação declarando justamente o contrário. Segundo o apóstolo Paulo, não há ninguém que possa dizer que é bom. Em Romanos 3:9-12, ele afirma que tanto judeus quanto gregos (em outras palavras judeus e gentios) estão debaixo do pecado e porque "todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só". Esta é a realidade de todo e qualquer ser humano. Todos são pecadores e por isso, todos são alvos da ira de Deus e estão destituídos da Glória de Deus. Esta afirmação também confronta diretamente outra mentira que gostamos de acreditar. A que diz que Deus é um Deus de amor e por isso Ele não pune.

 

Acredito que as pessoas se esquecem de textos como o de Gn 6:11-13, que anuncia a terrível história do dilúvio. Nossa geração deveria se lembrar que excetuando Noé e sua família, Deus executou seu juízo em toda humanidade. E que por causa da multidão de seus pecados, seus “corpos” já se mostravam em estado avançado de putrefação. Não poucas vezes ouvi pessoas dizerem que esses textos deveriam ser analisados com cuidado, porque se tratavam de textos do Antigo Testamento. Esta teoria visa defender que o Deus apresentado no Antigo Testamento não é o mesmo do Novo. Há um grande perigo em desconectar o Antigo do Novo Testamento, uma vez que eles formam uma unidade e tanto Jesus como os escritores inspirados afirmam a autoridade das Escrituras, o que em sua época se tratava prioritariamente do registro veterotestamentário.

 

Quanto a resposta para o fato de que Deus pune justamente os impenitentes, não é preciso apenas olhar para o Antigo Testamento para encontrar esta verdade. O livro de Apocalipse, que fala de muitas coisas que ainda estão por se cumprir, aponta que um grande grupo de pessoas será lançado no lago de fogo – por não terem seus nomes escritos no livro da vida. Essa punição tem relação direta com a aplicação da justiça de Deus e proporciona efetivamente glória ao seu nome. Costumo dizer aos meus alunos que não existe como não viver para glória de Deus – todo ser que respira se conduz para Sua glória ser cada vez mais transparecida, seja na apresentação de sua misericórdia ou na manifestação de sua ira resultado de seu justo juízo.

 

Afirmações teológicas equivocadas como essa se processam porque temos o costume de considerar alguns dos atributos de Deus que lidamos com maior tranquilidade e descartar outros que parecem nos confrontar. Esquecemos que isso é se colocar de maneira contrária aos ensinamentos bíblicos sobre não criar imagens daquilo o que há nos céus. Isso é pintar ou florear um deus que não é o Deus da Bíblia. O Deus que a Bíblia revela é tanto amor quanto é Santo; é tanto misericordioso, quanto está irado. Aliás, não há hierarquia naquilo o que Ele é, mas é no mínimo intrigante que pessoas reconheçam a imensidão do amor de Deus e se esqueçam de sua santidade. Isso desconsidera que, embora não exista hierarquia entre os atributos de Deus, a Escritura revela um lugar central para Sua santidade. Basta perceber que em nenhum lugar vemos a Escritura declarar que Deus é “amor, amor, amor”, porém a vemos declarar que Ele é Santo, Santo, Santo (Is 6:3; Ap 4:8). Todos os atributos de Deus são permeados por sua santidade. Pensar em um Deus que é amor e que por causa disso permitiria que algo ofuscasse sua santidade seria não entender o que a Bíblia diz quando declara que Ele é amor.

 

Note como a relação é plenamente estreita quando vemos que a maior demonstração de amor de Deus é também sua maior demonstração de como Ele esteve disposto a ir até as últimas consequências para pagar com justiça o pecado da humanidade. A salvação de pecadores custou a morte de Seu único Filho. Se para os que crêem isso se chama graça, para Deus não foi nada de graça. Deus é amor, mas também é fogo consumidor. Deus é amor eternamente, mas também manifesta sua ira na eternidade quando sua palavra declara acerca do cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13:8)

 

A última mentira que gostamos de acreditar é que a verdade é relativa. Se tudo isso que falei anteriormente é relativo parece que poderíamos relaxar diante do que foi dito, afinal de contas, não haveria certeza se isso é verdade ou não. No entanto, se tudo é verdade somos confrontados com palavras absolutas que vindicam transformação daquele a quem a verdade confronta.

 

É preciso refletir que existe algo que impacta na forma que vivemos e isso diz respeito à forma que respondemos as perguntas: Quem dita as regras sobre o que é verdade ou não? A nossa cultura e os pensadores de nossa época, ou a há uma verdade absoluta por trás de tudo?

 

Basta um pouco de honestidade para chegarmos às seguintes constatações acerca da verdade. Ela é real, absoluta, anterior e independe de mim. O ser humano foi criado para buscar suas bases na certeza de um absoluto real. Dizer que a verdade é relativa é uma grande estupidez, especialmente, porque a primeira afirmação que se coloca em xeque é a que procura fundamentar esta mesma afirmação. Diga para alguém que procura relativizar a verdade que é um mentiroso e identifique seus resultados. É inquestionável, o homem se baseia em absolutos e dizer que existe uma verdade absoluta não é nenhum absurdo. A Bíblia revela que esta verdade não apenas existe como está ligada indubitavelmente a uma pessoa – Cristo Jesus (Jo 14:6). Toda criação clama por sua base e apenas encontra harmonia alicerçada na verdade. Talvez seja por isso que o apóstolo Paulo declarou que nele (em Cristo) foram criadas todas as coisas (Cl 1:16). Tudo o que pode ser compreendido reside na Palavra de Deus, no Verbo encarnado, em Jesus – o Cristo.

 

Consequentemente, aquilo o que eu penso ser verdade ou não, não altera o que é realmente verdadeiro apenas porque eu quero que seja assim. Concluo dizendo que há uma verdade absoluta que fundamenta todas as coisas, da qual dependemos para compreensão de nossa própria vida e que é a única fonte de libertação para as mentiras que gostamos de acreditar. Não se deixe levar pelas mentiras deste mundo, mas atente para aquilo o que o Senhor te dá para verdadeiramente ser livre. Pois foi Ele mesmo, o nosso Senhor Jesus Cristo quem disse: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!

 

Que o Senhor nos ajude!

 


   Autor
   Pr. Jonatas Bento

Jonatas Bento é pastor na Igreja Metodista Ortodoxa no Km32, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Especialista em Teologia Bíblica AT. Jonatas também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

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